{"id":534,"date":"2011-04-13T10:58:51","date_gmt":"2011-04-13T13:58:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.foxnet.com.br\/portal3\/?p=534"},"modified":"2011-04-13T20:01:28","modified_gmt":"2011-04-13T23:01:28","slug":"usabilidade-o-amor-e-cego-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.foxnet.com.br\/portal3\/?p=534","title":{"rendered":"Usabilidade &#8211; O Amor \u00e9 Cego"},"content":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Martins &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dicas-l.com.br\/usabilidade\/usabilidade_201104121147.php\">http:\/\/www.dicas-l.com.br\/usabilidade\/usabilidade_201104121147.php<\/a><\/p>\n<p>O c\u00e9rebro humano \u00e9, deveras, uma coisa bastante engra\u00e7ada. Definitivamente n\u00f3s n\u00e3o podemos viver sem ele (muito embora existam relatos de pessoas que tentaram duramente realizar essa fa\u00e7anha).<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<dl>\n<dt><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.dicas-l.com.br\/usabilidade\/imagens\/Cerebro.png\" alt=\"\" width=\"356\" height=\"482\" \/><\/dt>\n<dd>O c\u00e9rebro humano!<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 ele que nos fez sobreviver quando decidimos descer de \u00e1rvores e ir pras savanas e que nos deu uma boa vantagem competitiva durante a \u00faltima era do gelo.<\/p>\n<p>E mesmo assim, tendo nos ajudado a inventar tudo que \u00e9 indispens\u00e1vel para a nossa sobreviv\u00eancia (como a pizza, a TV a cabo e carros convers\u00edveis), nosso c\u00e9rebro vive nos enganando. Primeiro foi a pareidolia. Agora \u00e9 esse tal de amor.<\/p>\n<p>Sim, sinto informar, caro leitor, mas o amor \u00e9 uma fraude, t\u00e3o fraudulenta que todos n\u00f3s acabamos acreditando (e gostando ainda por cima). Na verdade, seu c\u00e9rebro prega tantas pe\u00e7as em voc\u00ea quando est\u00e1 apaixonado que \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil escolher por onde come\u00e7ar a explicar. Tudo em nome da sobreviv\u00eancia e propaga\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>De todas as pe\u00e7as pregadas durante o amor, por\u00e9m, a mais famosa talvez seja a cegueira. Sim, todos dizem que o amor \u00e9 cego. Mas a verdade seja dita: o amor n\u00e3o \u00e9 cego. Ele nos cega.<\/p>\n<p>Parece confuso? Calma, calma. Eu explico: n\u00f3s, como indiv\u00edduos, possu\u00edmos desejos e necessidades bem espec\u00edficas. Coisas como fome, frio, necessidade de aten\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o pessoal (algu\u00e9m ai identificou a Pir\u00e2mide de necessidades de Maslow?) s\u00e3o comuns a todos os seres humanos. A forma de satisfazer essas necessidades, por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea n\u00e3o possa comer carne por uma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Talvez voc\u00ea tenha sido for\u00e7ado a comer muitas cebolas em conserva por sua av\u00f3 polonesa. N\u00e3o importa: ao atingir a idade adulta temos uma s\u00e9rie de prefer\u00eancias, avers\u00f5es e necessidades que nos tornam \u00fanicos (e muita vezes chatos ou paran\u00f3icos, dependendo do caso).<\/p>\n<p>Esta lista \u00e9, como pudemos observar, dificilmente racional. Afinal, como justificar racionalmente sua necessidade de alca\u00e7uzes pretos aos domingos pela manh\u00e3?<\/p>\n<p>Simplesmente n\u00e3o d\u00e1. E \u00e9 neste ponto que seu c\u00e9rebro come\u00e7a a te enganar: primeiro ele intensifica todos os atributos negativos do objeto que n\u00e3o atende sua necessidade irracional. Depois ele te cega para os defeitos do objeto que atende sua necessidade irracional. Sim, funciona tanto com pessoas quanto com sistemas ou sorvetes, pois somos seres em busca de amor e compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguimos ser racionais o tempo todo.<\/p>\n<p>Suponha que voc\u00ea queira comprar um carro e que, para voc\u00ea, a caracter\u00edstica mais importante seja um motor silencioso. Podem at\u00e9 te oferecer um carro que faz 20km\/Litro de \u00e1lcool, com todos os acess\u00f3rios de f\u00e1brica, 30% de desconto e pagamento em 20 vezes sem juros. Voc\u00ea vai come\u00e7ar a achar defeitos no estofamento, no tamanho, na cor (qualquer uma) e por ai vai. E n\u00e3o vai comprar um carro que n\u00e3o seja silencioso.<\/p>\n<p>Por outro lado, imagine que lhe ofere\u00e7am um carro silencioso laranja fosforescente. Voc\u00ea aceita na hora. Pode ter certeza: seu lado racional est\u00e1 berrando, tentando te avisar que essa \u00e9 uma cor bizarra. N\u00e3o vai adiantar. Voc\u00ea est\u00e1 cego (e aparentemente surdo tamb\u00e9m).<\/p>\n<p>E at\u00e9 quando essa rela\u00e7\u00e3o de amor ir\u00e1 durar? Bom, at\u00e9 que:<\/p>\n<p>a) Seu carro deixar de ser silencioso ou,<\/p>\n<p>b) Suas necessidades mudem.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea tenha virado pai e comprado um s\u00e3o Bernardo: ai voc\u00ea deixa de valorizar o silencio do motor e come\u00e7a a valorizar o espa\u00e7o interno do carro. Ou ent\u00e3o talvez voc\u00ea esteja encalhado: ai voc\u00ea come\u00e7a a valorizar a apar\u00eancia e compreende que, definitivamente, n\u00e3o vai impressionar nenhuma garota com um carro dessa cor&#8230;<\/p>\n<p>E o que fazer para aproveitar este conhecimento no desenvolvimento de sistemas (ou para conseguir uma namorada)? Bom, usu\u00e1rios (assim como as mulheres), adoram falar. O problema \u00e9 que muitas vezes o lado racional fala mais alto durante a conversa e voc\u00ea acaba por n\u00e3o descobrir o que realmente as pessoas querem.<\/p>\n<p>Por exemplo: um usu\u00e1rio pode jurar, de p\u00e9s juntos, que o que ele mais precisa, na verdade, \u00e9 de um gerador de relat\u00f3rios automatizado. Claro, esse \u00e9 o lado racional dele.<\/p>\n<p>Mas o que ele quer DE VERDADE, \u00e9 que os gr\u00e1ficos que o sistema j\u00e1 gera sejam mais coloridos e 3D.<\/p>\n<p>E se voc\u00ea n\u00e3o fizer os gr\u00e1ficos mais coloridos e em 3D, sabe o que vai acontecer? O usu\u00e1rio vai odiar seu sistema. Mesmo que seu gerador de relat\u00f3rios automatizado seja perfeito. Sim, eu sei que seus usu\u00e1rios reclamam do novo sistema, mesmo quando todos os requisitos s\u00e3o atendidos maestralmente. A culpa \u00e9 sua por n\u00e3o ter feito seus usu\u00e1rios se apaixonarem pelo seu sistema.<\/p>\n<p>A mesma coisa com sua namorada\/esposa: ela pode jurar de p\u00e9s juntos que quer ganhar roupas de presente. Mas se voc\u00ea n\u00e3o der aquele jantar caro e um anel de diamantes, meu amigo, voc\u00ea est\u00e1 encrencado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sim, saber ouvir n\u00e3o \u00e9 mais suficiente. O que fazer ent\u00e3o? Observe seu usu\u00e1rio utilizando o sistema atual e planeje testes parciais das funcionalidades desenvolvidas. Voc\u00ea ver\u00e1 as dificuldades e necessidades dos usu\u00e1rios antes mesmo que eles possam falar alguma coisa.<\/p>\n<p>E ai sim eles v\u00e3o se apaixonar por seus sistemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Martins &#8211;\u00a0http:\/\/www.dicas-l.com.br\/usabilidade\/usabilidade_201104121147.php O c\u00e9rebro humano \u00e9, deveras, uma coisa bastante engra\u00e7ada. 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